Por que a Bíblia Católica possui mais livros que a protestante?

A Bíblia Sagrada Católica

A Bíblia Sagrada Católica

Mesmo na época de Jesus, os judeus já possuíam suas segmentações. O judaísmo da forma que conhecemos hoje só se consolidou muitos anos depois da Ascensão de Nosso Senhor. Nos próprios Evangelhos encontramos os relatos quanto aos Saduceus, que eram os grandes proprietários de terras (anciãos) e também membros da alta elite sacerdotal. Os Saduceus aceitavam apenas a Lei escrita e rejeitavam conceitos que estavam sendo revelados, como a existência dos espíritos angélicos, demoníacos, a crença no messianismo profético e a ressurreição.

Outro grupo concomitante à passagem de Jesus foi o dos Doutores da Lei, também chamados sinteticamente de escribas, que estavam ainda em ascensão social, por meio do acúmulo de prestígio através do saber, uma vez que o trabalho de reprodução dos textos sagrados lhes cedia um grande conhecimento acerca de direito, administração e educação com base na Lei. O maior problema dos escribas era que tinham um ar esotérico, por esconder ao máximo as maneiras pelas quais haviam chegado a certas conclusões. Com isso, monopolizavam a interpretação das Escrituras.

Outro grupo em crescimento era o dos Fariseus, que a princípio se aliaram aos saduceus, para depois se afastarem, pregando ao povo genérico, embora os mais necessitados e humildes fossem excluídos, por não terem acesso às Escrituras. Eram nacionalistas que estavam contra o Império Romano e criavam novas assimilações teológicas por meio das pregações nas sinagogas, em oposição ao Templo de Jerusalém.

É nítido para nós que os Fariseus tiveram um embate ferrenho com Jesus e seus Apóstolos, e subsequente aos demais cristãos e suas comunidades formadas, e por isso, com a expansão do judaísmo pelo mundo antigo, os cristãos lhes eram como uma seita judia dissidente, que necessariamente precisava ser aniquilada, como o próprio São Paulo, outrora fariseu, relata em suas cartas.

Jesus e os Fariseus

Jesus e os Fariseus

Os fariseus se tornaram a corrente judaica mais popular, visto que os demais grupos foram perdendo valor, principalmente após a destruição de Jerusalém (70 d.C.), onde a autoridade do Templo se perdera, embora as sinagogas permanecessem, em sua maioria, existentes.

Como resposta ao cristianismo crescente, que é nossa prodigiosa fé, que transmite a verdadeira Salvação, os fariseus tiveram de criar certos preceitos para que o cânon de suas próprias escrituras do Antigo Testamento jamais permitisse que a crença em Jesus se manifestasse.

Aproveitando seu nacionalismo intenso, outorgaram que Deus só poderia ter inspirado os livros escritos em Hebraico, a língua-mãe dos judeus. Achavam também que a inspiração divina só poderia ocorrer dentro do território israelita, que era sua “Terra Prometida”. Por último, criaram também a regra de que os livros inspirados só ocorreriam até o tempo de Esdras (458-428 a. C.), e jamais depois disto.

Antes de entrarmos em qualquer mérito acerca dessas consequências, percebemos que esse critério de seleção dos livros inspirados é extremamente xenofóbico, ou seja, delimita que Deus só inspiraria judeus, dentro do território judeu, de modo que a Salvação que Deus propusera por meio de suas Alianças jamais pudesse ser transmitida a todos, uma vez que necessariamente judeus naturais seriam inspirados. Além disso, essa designação terminaria em determinado tempo, que era o de Esdras, o que significa que, em sua concepção, a plenitude da Salvação terminaria com aquelas indicações.

Com base nesses preceitos, os fariseus reduziram os livros que outrora estavam em voga no tempo de Jesus, compondo um cânon próprio, totalmente deslocado, com base em seus próprios critérios egoístas. Basta saber que, se os protestantes escolheram essa lista, são extremamente incoerentes, pois os critérios escolhidos pelos fariseus excluiriam todo o Novo Testamento, que eles compartilham conosco em mesmo número de livros.

Apenas para conhecimento, esses livros excluídos pelos fariseus, e depois pelos protestantes, são chamados Deuterocânonicos e estão todos inclusos na seguinte lista: Judite, Tobias, Sabedoria, Eclesiástico, Baruc, 1 Macabeus, 2 Macabeus, os capítulos 13 e 14 e os versículos  24 a 90 do capítulo 3 de Daniel, e por último os capítulos 11 a 16 de Ester.

Jesus, incontestavelmente, leu todos esses livros, e pregou-os conforme suas mensagens. Em sua época, uma versão popular do Antigo Testamento chamada Septuaginta (versão de setenta sábios escrita em setenta dias em Alexandria), rodava todo o Mediterrâneo, incluindo a Palestina, e era escrita em grego, uma língua que já discutimos que era quase que universal na região. Na Septuaginta estavam presentes todos os livros deuterocânonicos, e é com base nela que a Igreja Católica definiu seu cânon para o Antigo Testamento.

Para provarmos que Jesus teve contato com os livros deuterocânonicos, vamos analisar algumas passagens ditas pelo próprio Jesus ou os apóstolos, nos escritos do Novo Testamento, com os livros renegados pelos fariseus.

Pelo contrário, quando você der uma festa convide pobres, aleijados, mancos e cegos. Então você será feliz! Porque eles não lhe podem retribuir. E você receberá a recompensa na ressurreição dos justos.” Lucas 14, 13-14.

Comparemos com: “Dê esmolas daquilo que você possui, e não seja mesquinho. Se você vê um pobre, não desvie o rosto, e Deus não afastará Seu rosto de você.Tobias 4,7.

Caso possua mais dúvidas, compare I Tessalonicenses 4,3 com Tobias 4,13; Mateus 7, 12 com Tobias 4,16; I Coríntios 10, 9 com Judite 8, 24-25; Lucas 1,42 com Judite 13,23; I Coríntios 15, 32 com Sabedoria 3,8; 2 Timóteo 3,12 com Eclesiástico 2, 1-2; João 14, 23 com Eclesiástico 2, 18-19; Hebreus 11, 35-37 com 2 Macabeus 6, 9-11.19; Hebreus 11, 33-34 com 2 Macabeus 8, 5-7; Baruc 4,37 com Lucas 13, 29; Baruc 3, 29 com João 3, 13; Daniel 13, 46 com Mateus 27, 24 e Daniel 13, 46 com Atos 20, 26.

Jesus tinha contato com todos esses escritos, e é a mais estranha incoerência contrariar o próprio Jesus, bem como adotar a escolha de um grupo contrário aos cristãos (os fariseus).Image

A Bíblia não caiu do céu, e cristãos sempre foram perseguidos no início de nossa pregação, de forma que o salvaguardo do Novo Testamento, bem como a escolha dos livros que estavam de acordo com o Depósito da Fé, são trabalhos desempenhados pela Igreja Católica Apostólica Romana.

Irmãos e irmãs, nosso primeiro papa, São Pedro, já nos advertia em sua segunda carta: “Assim como houve entre o povo falsos profetas, assim também haverá entre vós falsos doutores, que introduzirão disfarçadamente seitas perniciosas. Eles, renegando assim o Senhor que os resgatou, atrairão sobre si uma ruína repentina. Muitos os seguirão nas suas desordens e serão deste modo as causas de o caminho da verdade ser caluniado. Movidos por cobiça, eles vos hão de explorar por palavras cheias de astúcia. Há muito tempo a condenação os ameaça, e a sua ruína não dorme2 Pedro 2,1-3.

Se toda árvore pode ser julgada por seus frutos, quem estaria errada: uma Igreja com dois mil anos de solidez e tradição, ou seitas que se dividem a cada dia, se destroem a cada dia, e perpetuam a divisão, quando o caminho da verdadeira salvação é daquele que é o Único Pastor, que quer para si Um Só Rebanho.

Que Deus ilumine todos aqueles que atacam nossa Igreja, para que entendam que somos coerentes em tudo aquilo que pregamos, com a graça de Deus. Amém.

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