Sacramento da Penitência (6º Encontro – 1ª Parte)

Sacramento da Penitência

Sacramento da Penitência

Conforme reiterado desde o princípio, os Sacramentos são gestos e ações sensíveis a realidade humana, que porém realizam ações sobrenaturais intangíveis à nossos sentidos, e é importante denotar que todos eles, sem exceção, possuem sua autoridade conferida à Igreja verdadeira de Cristo, ou seja, a Igreja Católica Apostólica Romana, por meio do próprio Jesus.

Vemos Jesus instituindo esse Sacramento na noite da Páscoa, conforme elucida o Evangelho de São João: “Recebei o Espírito Santo. Aqueles a quem perdoardes os pecados, serão perdoados; àqueles aos quais os retiverdes, serão retidos” (Jo 20, 21-22).

Percebemos nessa passagem que Jesus ordena inquestionavelmente que os sacerdotes ouçam e reflitam sobre os pecados para que sejam perdoados.

Já pelo livro do Levítico, segundo a Lei que Moisés recebera de Deus, o pecado deveria ser sanado por meio de um sacrifício que mudava de acordo com a gravidade do delito. Essa é uma premissa básica, que é espelhada até mesmo na lei humana, onde a gravidade dos delitos aumenta suas respectivas penas.

A Sagrada Tradição nos exorta que as confissões dos tempos antigos tinham como penitência gestos parecidos com nossos atuais, como orações, peregrinações e obras de misericórdia, em virtude dos estudos dos Padres da Igreja, que sempre relacionaram a situação de pecado como um afastamento de Deus por parte dos indivíduos. A reconciliação com o Criador, por meio de obras que aproximassem os homens ou incentivassem o diálogo com Deus eram sumariamente necessárias.

O erudito Orígenes († 202) explicita de forma completa a intenção que alguém deve possuir ao se confessar: “A dura e penosa via na qual o pecador não se envergonha de indicar ao sacerdote do Senhor o seu pecado e de pedir-lhe remédio” (In Lev. 2,4).

Orígenes

Em 1215, o Concílio de Latrão tornou obrigatória a Confissão anual para todos os fiéis, em seu cânon 21. Em 1545, o Concílio de Trento promulgou como dogma de fé, a existência do Sacramento da Penitência, instituído por Cristo e diferente do Batismo, em resposta às críticas protestantes. Afirmou também a necessidade deste sacramento para a remissão dos pecados graves.

As instruções para que o segredo de confissão seja inviolável são claras, e bastante repetidas para os sacerdotes, o Código do Direito Canônico exprime isso com exatidão:

Cânon 1388: § 1. O confessor que viola diretamente o sigilo sacramental incorre em excomunhão latae sententiae reservadas à Sé Apostólica, quem o faz só indiretamente seja punido conforme a gravidade do delito.”

O Catecismo da Igreja Católica nos ensina muito acerca desse Sacramento:

§1422 – “Aqueles que se aproximam do sacramento da Penitência obtêm da misericórdia divina o perdão da ofensa feita a Deus e ao mesmo tempo são reconciliados com a Igreja que feriram pecando, e a qual colabora para sua conversão com caridade exemplo e orações.”

§1423 – Chama-se sacramento da Conversão, pois realiza sacramentalmente o convite de Jesus à conversão, o caminho de volta ao Pai, do qual a pessoa se afastou pelo pecado.

Chama-se sacramento da Penitência porque consagra um esforço pessoal e eclesial de conversão, de arrependimento e de satisfação do cristão pecador.

§1424 – É chamado sacramento da Confissão porque a declaração, a confissão dos pecados diante do sacerdote é um elemento essencial desse sacramento. Num sentido profundo esse sacramento também é uma “confissão”, reconhecimento e louvor da santidade de Deus e de sua misericórdia para com o homem pecador. Também é chamado sacramento do perdão porque pela absolvição sacramental do sacerdote Deus concede “o perdão e a paz”

É chamado sacramento da Reconciliação porque dá ao pecador o amor de Deus que reconcilia: “Reconciliai-vos com Deus” (2Cor 5,20). Quem vive do amor misericordioso de Deus está pronto a responder ao apelo do Senhor: “Vai primeiro reconciliar-te com teu irmão” (Mt 5,24).

§1429 – Comprova-o a conversão de São Pedro após a tríplice negação de seu mestre. O olhar de infinita misericórdia de Jesus provoca lágrimas de arrependimento e, depois da ressurreição do Senhor, a afirmação, três vezes reiterada, de seu amor por e1e. A segunda conversão também possui uma dimensão comunitária. Isto aparece no apelo do Senhor a toda uma Igreja: “Converte-te!” (Ap 2,5.16).

Santo Ambrósio, referindo-se às duas conversões, diz que na Igreja “existem a água e as lágrimas: a água do Batismo e as lágrimas da penitência”.

§1430 – Como já nos profetas, o apelo de Jesus à conversão e penitência não visa em primeiro lugar às obras exteriores, saco e a cinza”, os jejuns e as mortificações, mas à conversão do coração, à penitência interior. Sem ela, as obras de penitência continuam estéreis e enganadoras: a conversão interior, ao contrário, impele a expressar essa atitude por sinais visíveis, gestos e obras de penitência.

§1431 – A penitência interior é uma reorientação radical de toda a vida, um retorno, uma conversão para Deus de todo nosso coração, uma ruptura com o pecado, uma aversão ao mal e repugnância às m s obras que cometemos. Ao mesmo tempo, é o desejo e a resolução de mudar de vida com a esperança da misericórdia divina e a confiança na ajuda de sua graça. Esta conversão do coração vem acompanhada de uma dor e uma tristeza salutares, chamadas pelos Padres de “animi cruciatus (aflição do espírito)”, “compunctio cordis (arrependimento do coração)” .

§1432 – O coração do homem apresenta-se pesado e endurecido. É preciso que Deus dê ao homem um coração novo. A conversão é antes de tudo uma obra da graça de Deus que reconduz nossos corações a ele: “Converte-nos a ti, Senhor, e nos converteremos” (Lm 5,21). Deus nos dá a força de começar de novo. É descobrindo a grandeza do amor de Deus que nosso coração experimenta o horror e o peso do pecado e começa a ter medo de ofender a Deus pelo mesmo pecado e de ser separado dele. O coração humano converte-se olhando para aquele que foi traspassado por nossos pecados.

Jesus perdoando os pecados

Jesus perdoando os pecados

A matéria desse Sacramento são como que os atos do penitente, distintos em três grupos: o primeiro é a contrição do coração, que consiste na dor do pecado cometido acompanhada do propósito de não pecar para o futuro. O segundo é a confissão oral, na qual o pecador confessa integralmente ao seu sacerdote todos os pecados de que tem memória. O terceiro é a penitência pelos pecados, segundo o arbítrio dos sacerdote; à qual se satisfaz especialmente por meio da oração, do jejum e da esmola.

A forma deste sacramento são as palavras da absolvição que o sacerdote pronuncia quando diz: “Eu te absolvo”. O ministro deste sacramento é o sacerdote, que pode absolver com autoridade ordinária ou por delegação do superior. O efeito (caráter e graça santificante) deste sacramento é a absolvição dos pecados.

Com isso, aprendemos um pouco sobre o Sacramento da Confissão, buscando sempre estar puros de coração para melhor agradecer e louvar o Deus que criou todas as coisas.

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