Sacramento do Matrimônio (5º Encontro – 1ª Parte)

Sacramento do Matrimônio

Sacramento do Matrimônio

A presença de Deus no âmbito familiar, além de benéfica, revela detalhes nítidos e expressivos sobre como nos organizamos, ou seja, como Deus queria que vivêssemos.

No século X a. C. os povos coexistentes, na maioria das vezes, haviam se entregado ao paganismo, e eram poligâmicos em sociedades patriarcais, ou seja, o homem podia se casar com várias mulheres, indicando superioridade.

É interessante notar que a narrativa bíblica, mesmo naqueles tempos remotos e embrutecidos, já era contrária a tal atitude, e a passagem de Adão e Eva, mais nitidamente enfatizada em Gênesis 2, 22-24; nos mostra que a família na mentalidade de Deus possui um homem e uma mulher, que se amam mutuamente, possuem toda a intenção de ficarem juntos, e a partir de um consentimento divino, uma permissão direta de Deus, se tornam uma só carne, deixando suas famílias originais.

Ora que “tornar-se uma só carne” não nos é visível, nem é possível comprovar pelo uso da razão tal afirmação, de modo que só nos resta concluir que tal significado é espiritual, mas não menos importante, pois a alma, nesse nosso mundo, está sempre ligada ao corpo.

O fruto natural, nítido, inviolável e perfeito desse enlace amoroso tirado da mente de Deus é a Vida Humana, a mais preciosa de todas, e aquela que Deus quis salvar de todas as maneiras, mesmo depois da traição de Adão e Eva.

A perpetuação da Vida Humana depende da família nos moldes cristãos, e a Igreja Católica jamais irá se opor à essa realidade.

Outro exemplo mais do que nítido foi a Sagrada Família. Deus enviou Seu Filho para nascer como homem, e o Espírito Santo fez com que Maria engravidasse, mesmo sem jamais ter se relacionado com José.

O Rito Matrimonial

O Rito Matrimonial

É óbvio que Deus não precisaria de Maria para gerar um filho, mas ele “quis precisar”, e isso faz toda a diferença do mundo. Da mesma forma, depois que Maria engravidou, Deus jamais precisaria de José, mas ele novamente quis precisar, porque na mentalidade de Deus, é assim que uma família deve ser, e novamente reiteramos: “Pai, mãe, e filhos”.

Contudo, o compromisso meramente físico de um homem e uma mulher não garante uma realidade espiritual de entrega e de “uma só carne”, cabendo à Igreja, desde os primórdios, fazer essa ligação, com base no Poder das Chaves do Reino dos Céus, conferido a São Pedro por Jesus, e consequentemente para os demais papas.

Com o tempo, as bênçãos simples que validavam os matrimônios foram crescendo e ganhando destaque dentro da Igreja, e as tradições vinculadas ao Sacramento que conhecemos hoje foram ganhando forma.

As alianças, por exemplo, ganharam esse nome por serem símbolo concreto de uma verdadeira aliança entre o esposo e a esposa, e Santo Isidoro de Sevilha, já no século VII, declarou que a aliança deveria ser colocada no quarto dedo da mão esquerda, porque neste há uma veia que vai direto para o coração, que representa, até os dias de hoje, o amor e os sentimentos. A partir do Concílio Vaticano II, a cerimônia ganhou a fórmula e o rito dos dias atuais.

O Catecismo da Igreja Católica é definitivo quanto ao Matrimônio:

§1603 “A íntima comunhão de vida e de amor conjugal que o Criador fundou e dotou com suas leis […] O próprio […] Deus é o autor do matrimônio. “A vocação para o Matrimônio está inscrita na própria natureza do homem e da mulher, conforme saíram da mão do Criador. O casamento não é uma instituição simplesmente humana, apesar das inúmeras variações que sofreu no curso dos séculos, nas diferentes culturas, estruturas sociais e atitudes espirituais. Essas diversidades não devem fazer esquecer os traços comuns e permanentes. Ainda que a dignidade desta instituição não transpareça em toda parte com a mesma clareza, existe, contudo, em todas as culturas, um certo sentido da grandeza da união matrimonial. “A salvação da pessoa e da sociedade humana está estreitamente ligada ao bem-estar da comunidade conjugal e familiar.”

§1604 Deus, que criou o homem por amor, também o chamou para o amor, vocação fundamental e inata de todo ser humano. Pois o homem foi criado à imagem e semelhança de Deus, que é Amor. Tendo-os Deus criado homem e mulher, seu amor mútuo se torna uma imagem do amor absoluto e indefectível de Deus pelo homem. Esse amor é bom, muito bom, aos olhos do Criador, que “é amor” (1Jo 4,8.16). E esse amor abençoado por Deus é destinado a ser fecundo e a realizar-se na obra comum de preservação da criação: “Deus os abençoou e lhes disse: Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e submetei-a” (Gn 1,28).

§1605 Que o homem e a mulher tenham sido criados um para o outro, a sagrada Escritura o afirma: “Não é bom que O homem esteja só” (Gn 2,18). A mulher, “carne de sua carne”, é, igual a ele, bem próxima dele, lhe foi dada por Deus como um “auxilio”, representando, assim, “Deus, em quem está o nosso socorro”. “Por isso um homem deixa seu pai e sua mãe, se une à sua mulher, e eles se tornam uma só carne” (Gn 2,24). Que isto significa uma unidade indefectível de suas duas vidas, o próprio Senhor no-lo mostra lembrando qual foi, ‘na origem”, o desígnio do Criador (Cf Mt 19,4): “De modo que já não são dois, mas uma só carne” (Mt 19,6).

§1606 Todo homem sofre a experiência do mal, à sua volta e em si mesmo. Esta experiência também se faz sentir nas relações entre o homem e a mulher. Sua união sempre foi ameaçada pela discórdia, pelo espírito de dominação, pela infidelidade, pelo ciúme e por conflitos que podem chegar ao ódio e à ruptura. Essa desordem pode manifestar-se de maneira mais ou menos grave, e pode ser mais ou menos superada, segundo as culturas, as épocas, os indivíduos. Tais dificuldades, no entanto parecem ter um caráter universal.

§1607 Segundo a fé, essa desordem que dolorosamente constatamos não vem da natureza do homem e da mulher, nem da natureza de suas relações, mas do pecado. Tendo sido uma ruptura com Deus, o primeiro pecado tem, como primeira conseqüência a ruptura da comunhão original do homem e da mulher. Sua relações começaram a ser deformadas por acusações recíprocas sua atração mútua, dom do próprio Criador transforma-se relações de dominação e de cobiça; a bela vocação do homem e da mulher para ser fecundos, multiplicar-se e sujeitar a terra é onerada pelas dores de parto e pelo suor do ganha-pão.

§1608 Não obstante, a ordem da criação subsiste, apesar de gravemente perturbada. Para curar as feridas do pecado, o homem e a mulher precisam da ajuda da graça que Deus, em sua misericórdia infinita, jamais lhes recusou. Sem esta ajuda, homem e a mulher não podem chegar a realizar a união de suas vidas para a qual foram criados “no princípio”.

§1609 Em sua misericórdia, Deus não abandonou o homem pecador. As penas que acompanham o pecado, “as dores da gravidade de dar à luz (Cf Gn 3,16), o trabalho “com o suor de teu rosto” (Gn 3,19) constituem também remédios que atenuam os prejuízos do pecado. Após a queda, o casamento ajuda a vencer a centralização em si mesmo, o egoísmo, a busca do próprio prazer, e a abrir-se ao outro, à ajuda mútua, ao dom de si.

§1610 A consciência moral concernente à unidade e à indissolubilidade do Matrimônio desenvolveu-se sob a pedagogia da lei antiga. A poligamia dos patriarcas e dos reis ainda não fora explicitamente rejeitada. Entretanto, a lei dada a Moisés visava proteger a mulher contra o arbítrio é a dominação pelo homem, apesar de também trazer, segundo a palavra do Senhor, os traços da “dureza do coração” do homem, em razão da qual Moisés permitiu o repúdio da mulher.

§1611 Examinando a aliança de Deus com Israel sob a imagem de um amor conjugal exclusivo e fiel, os profetas prepararam a consciência do povo eleito para uma compreensão mais profunda da unicidade e indissolubilidade do Matrimônio. Os livros de Rute e de Tobias dão testemunhos comoventes do elevado sentido do casamento, da fidelidade e da ternura dos esposos. A Tradição sempre viu no Cântico dos Cânticos uma expressão única do amor humano, visto que é reflexo do amor de Deus, amor “forte como a morte”, que “as águas da torrente jamais poderão apagar” (Ct 8,6-7).

§1612 A aliança nupcial entre Deus e seu povo Israel havia preparado a nova e eterna aliança na qual o Filho de Deus, encarnando-se e entregando sua vida, uniu-se de certa maneira com toda a humanidade salva por ele, preparando, assim, “as núpcias do Cordeiro (Cf Ap 19,7 e 9).

§1613 No limiar de sua vida pública, Jesus opera seu primeiro sinal a pedido de sua Mãe por ocasião de uma festa de casamento. A Igreja atribui grande importância à presença de Jesus nas núpcias de Caná. Vê nela a confirmação de que o casamento é uma realidade boa e o anúncio de que, daí em diante, ser ele um sinal eficaz da presença de Cristo.

§1614 A Celebração do Mistério Cristão Os Sete Sacramentos da igreja. Em sua pregação, Jesus ensinou sem equívoco o sentido o original da união do homem e da mulher, conforme quis o Criador desde o começo. A permissão de repudiar a própria mulher, concedida por Moisés, era uma concessão devida à dureza do coração; a união matrimonial do homem e da mulher é indissolúvel, pois Deus mesmo a ratificou: “O que Deus uniu, o homem não deve separar” (Mt 19,6).

§1615 É provável que esta insistência sem equívoco na indissolubilidade do vínculo matrimonial deixasse as pessoas perplexas e aparecesse como uma exigência irrealizável. Todavia, isso não quer dizer que Jesus tenha imposto um fardo impossível de carregar e pesado demais para os ombros dos esposos, mais pesado que a Lei de Moisés. Como Jesus veio para restabelecer ordem inicial da criação perturbada pelo pecado, ele mesmo dá a força e a graça para viver o casamento na nova dimensão do Reino de Deus. E seguindo a Cristo, renunciando a si mesmos e tomando cada um sua cruz que os esposos poderão “compreender” o sentido original do casamento e vivê-lo com a ajuda de Cristo. Esta graça do Matrimônio cristão é um fruto da Cruz de Cristo, fonte de toda vida cristã.

§1616 É justamente isso que o apóstolo Paulo quer fazer entender quando diz: “E vós, maridos, amai vossas mulheres, como Cristo amou a Igreja e se entregou por ela, a fim de purificá-la” (Ef 5,25-26), acrescentando imediatamente: “Por isso de deixar o homem seu pai e sua mãe e se ligar à sua mulher, e serão ambos uma só carne. E grande este mistério: refiro-me à relação entre Cristo e sua Igreja” (Ef 5,31-32).

§1617 Toda a vida cristã traz a marca do amor esponsal de Cristo e da Igreja. Já o Batismo, entrada no Povo de Deus, é um mistério nupcial: é, por assim dizer, o banho das núpcias que precede o banquete de núpcias, a Eucaristia. O Matrimônio cristão se torna, por sua vez, sinal eficaz, sacramento da aliança de Cristo e da Igreja. O Matrimônio entre batizados é um verdadeiro sacramento da nova aliança, pois significa e comunica a graça.

O ministro, a matéria e a fórmula do Sacramento do Matrimônio estão vinculados aos próprios noivos, através dos gestos, ações, palavras e a aceitação do amor mútuo. O diácono ou padre presente apenas confere a benção da Igreja, representando o consentimento de que Deus uniu aquele casal, sob a espécie de alguém que seja ordenado, mas também testemunha.

Com isso, vemos que o Matrimônio é um dos Sacramentos de serviço à comunidade, sabendo que a Igreja é a maior protetora familiar de todo o mundo, sendo absolutamente contra casamentos mistos, segundas uniões, poligamia ou casamentos homossexuais. A estrutura natural de uma família é extremamente nítida, assim como a vontade de Deus, e estar na Igreja sem aceitar a vontade de Deus é inadmissível, cabendo a cada cristão preservar os valores morais que nos foram transmitidos.

A Sagrada Família

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