Sacramento da Ordem (5º Encontro – 2ª Parte)

O Sacramento da Ordem

O Sacramento da Ordem

No Antigo Testamento, vemos como Deus escolheu uma das Doze Tribos de Israel, a de Levi, para que seus membros se tornassem sacerdotes (cf. Nm 3, 11-13). O conjunto de ritos e sacrifícios desse período compõe a Antiga Aliança.

Jesus sofreu seu sacrifício para levar plenitude aos sacrifícios da Antiga Aliança, de modo a abolir o sacerdócio levita e instituir uma nova maneira de sacerdócio, onde Ele mesmo fosse o Único Sacerdote da Nova e Eterna Aliança.

Ele fez isso para que nossos pecados fossem definitivamente perdoados, e para que Deus permitisse tal coisa, o próprio Deus, de alguma forma, teria que se sacrificar em função de toda a humanidade. É impressionante notar que, para nossa absoluta sorte, Deus é verdadeiramente amor, e se fez homem com o intuito de que a Salvação fosse entregue em nosso meio.

Antes de sua Ascensão aos Céus, Jesus já havia deixado claro que instituíra o Sacramento da Ordem, isto é, a ordenação sacerdotal daqueles que Ele próprio chamara, ou seja, os Doze Apóstolos (Mc 3, 13-16).

Os apóstolos, portanto, receberam a Ordem pelas mãos do próprio Jesus, e isso incluía uma série de responsabilidades, mas também de glórias: “Quem vos ouve, a mim ouve; quem vos rejeita a mim rejeita; e quem me rejeita, rejeita Aquele que me enviou” (Lc 10, 16).

Os apóstolos prefiguram nossos bispos, e ao longo de suas jornadas iam instituindo prebíteros (epískopoi, em grego) por onde passavam (At 14, 23; 15, 2-6; 11,30; Tt 1, 5; 1Tm 4, 14; 5, 17; 1Pd 5, 1), para que esses dirigissem comunidades de cristãos. É importante ressaltar que não havia igrejas independentes dos apóstolos, como hoje acontece.

Os apóstolos também instituíram diáconos que ocupavam um lugar abaixo dos presbíteros (At 6, 1-6; 1Tm 3, 8-13).

No fim da vida dos apóstolos, foi surgindo o “episcopado monárquico”, sendo escolhido um presbítero que se tornava o pastor estável da comunidade, com o título exclusivo de episkopos, ou seja, o título de bispo. Assim, os bispos são verdadeiramente os sucessores plenos e verdadeiros dos apóstolos, que têm jurisdição apenas em sua diocese, enquanto que o bispo de Roma, o Papa, sucessor de São Pedro, tem jurisdição sobre toda a Igreja.

O bispo, possui, portanto, a plenitude da Ordem, como os apóstolos, ordenados pelo próprio Cristo, podendo portanto ordenar outros presbíteros, por conta própria, ou outros bispos, depois da escolha do papa.

A Ordenação

A Ordenação

O sacerdócio católico é uma entrega, onde o homem responde ao chamado de Deus e se entrega plenamente ao serviço comunitário, porque essa é a premissa do amor a Deus. O sacerdote possui os poderes instituídos por Jesus, ou seja, opera os Sacramentos cabíveis, ajudando a comunidade de forma plena. Sem o sacerdócio, é impossível que haja a Igreja.

O Catecismo da Igreja Católica é bastante revelador nesses aspectos:

§1536 A Ordem é o sacramento graças ao qual a missão confiada por Cristo a seus Apóstolos continua sendo exercida na Igreja até o fim dos tempos; é, portanto, o sacramento do ministério apostólico. Comporta três graus: o episcopado, o presbiterado e o diaconato.

§1537 A palavra ordem, na Antigüidade romana, designava corpos constituídos no sentido civil, sobretudo o corpo dos que governavam. “Ordinatio” (ordenação) designa a integração num “ordo” (ordem). Na Igreja, há corpos constituídos que a Tradição, não sem fundamento na Sagrada Escritura, chama, desde os tempos primitivos, de “taxeis” (em grego; pronuncie “tacseis“), de “ordines” (em latim). Por exemplo, a liturgia fala do “ordo episcoporum” (ordem dos bispos), do “ordo presbyterorum” ordem dos presbíteros), do “ordo diaconorum” (ordem dos diáconos). Outros grupos recebem também este nome de “ordo“: os catecúmenos, as virgens, os esposos, as viúvas etc.

§1538 A integração em um desses corpos da Igreja era feita por um rito chamado ordinatio, ato religioso e litúrgico que consistia numa consagração, numa bênção ou num sacramento. Hoje a palavra “ordinatio” é reservada ao ato sacramental que integra na ordem dos bispos, presbíteros e diáconos e que transcende uma simples eleição, designação, delegação ou instituição pela comunidade, pois confere um dom do Espírito Santo que permite exercer um “poder sagrado” (“sacra potestas“) que só pode vir do próprio Cristo, por meio de sua Igreja. A ordenação também é chamada “consecratio” por ser um pôr à parte, uma investidura, pelo próprio Cristo, para sua Igreja. A imposição das mãos do bispo, com a oração consecratória, constitui o sinal visível desta consagração.

§1539 O povo eleito foi constituído por Deus como “um remo de sacerdotes e uma nação santa” (Ex 19,6). Mas, dentro do povo de Israel, Deus escolheu uma das doze tribos, a de Levi, reservando-a para o serviço litúrgico; Deus mesmo é sua herança. Um rito próprio consagrou as origens do sacerdócio da antiga aliança. Os sacerdotes são ai “constituídos para intervir em favor dos homens em suas relações com Deus, a fim de oferecer dons e sacrifícios pelos pecados”.

§1540 Instituído para anunciar a palavra de Deus e para restabelecer a comunhão com Deus pelos sacrifícios e pela oração, esse sacerdócio continua, não obstante, impotente para operar; a salvação. Precisa, por isso, repetir sem cessar os sacrifícios, e não é capaz de levar à santificação definitiva, que só o sacrifício de Cristo deveria operar.

§1541 Entretanto, a liturgia da Igreja vê no sacerdócio de Aarão, no serviço dos levitas e na instituição dos setenta “anciãos” prefigurações do ministério ordenado da nova aliança Assim, no rito latino, a Igreja reza no prefácio consecratório da ordenação dos bispos:

Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo… por vossa palavra estabelecestes leis na Igreja; e escolhestes desde o princípio um povo santo, descendente de Abraão, dando-lhe chefes e sacerdotes, e jamais deixastes sem ministros o vosso santuário…

§1542 Na ordenação dos presbíteros, a Igreja reza:

Assisti-nos, Senhor, Pai Santo […] Já no Antigo Testamento, em sinais prefigurativos, surgiram vários ofícios por vós instituídos, de modo que, tendo à frente Aarão para guiar e santificar o vosso povo, lhes destes colaboradores de menor ordem e dignidade. Assim, no deserto, comunicastes a setenta homens prudentes o espírito dado a Moisés que, como auxílio deles, pode mais facilmente governar o vosso povo.

Do mesmo modo, derramastes copiosamente sobre os filhos de Aarão a plenitude concedida a seu pai, para que o serviço dos sacerdotes segundo a lei fosse suficiente para os sacrifícios do tabernáculo.

§1543 E, na oração consecratória para a ordenação dos diáconos, a Igreja professa:

Ó Deus Todo-Poderoso… fazeis crescer… a vossa Igreja. Para a edificação do novo templo, constituístes três ordens de ministros para servirem ao vosso nome, como outrora escolhestes os filhos de Levi para o serviço do antigo santuário.

§1544 Todas as prefigurações do sacerdócio da antiga aliança encontram seu cumprimento em Cristo Jesus, “único mediador entre Deus e os homens” (1Tm 2,5). Melquisedec, “sacerdote do Deus Altíssimo” (Gn 14,18), é considerado pela Tradição cristã como uma prefiguração do sacerdócio de Cristo, único “sumo sacerdote segundo a ordem de Melquisedec” (Hb 5,10; 6,20), “santo, inocente, imaculado” (Hb 7,16), que “com uma única oferenda levou à perfeição, e para sempre, os que ele santifica” (Hb 10,14), isto é, pelo único sacrifício de sua Cruz.

§1545 O sacrifício redentor de Cristo é único, realizado uma vez por todas. Não obstante, toma-se presente no sacrifício eucarístico da Igreja. O mesmo acontece com o único sacerdócio de Cristo: torna-se presente pelo sacerdócio ministerial, sem diminuir em nada a unicidade do sacerdócio de Cristo. “Por isso, somente Cristo é o verdadeiro sacerdote; Os outros são seus ministros.”

§1546 Cristo, sumo sacerdote e único mediador, fez da Igreja “um Reino de sacerdotes para Deus, seu Pai” (Cf Ap 1,6; 5,9-10; 1 Pd 2,5-9). Toda comunidade dos fiéis é, como tal, sacerdotal. Os fiéis exercem seu sacerdócio batismal por meio de sua participação, cada qual segundo sua própria vocação, na missão de Cristo, Sacerdote, Profeta e Rei. E pelos sacramentos do Batismo e da Confirmação que os fiéis são “consagrados para ser… um sacerdócio santo”.

§1547 O sacerdócio ministerial ou hierárquico dos bispos e dos presbíteros e o sacerdócio comum de todos os fiéis, embora “ambos participem, cada qual a seu modo, do único sacerdócio de Cristo”, diferem, entretanto, essencialmente, mesmo sendo “ordenados um ao outro”. Em que sentido? Enquanto o sacerdócio comum dos fiéis se realiza no desenvolvimento da graça batismal, vida de fé, de esperança e de caridade, vida segundo o Espírito o sacerdócio ministerial está a serviço do sacerdócio comum, refere-se ao desenvolvimento da graça batismal de todos os cristãos. É um dos meios pelos quais Cristo não cessa de construir e de conduzir sua Igreja. Por isso, é transmitido por um sacramento próprio, o sacramento da Ordem.

Com isso encerramos os Sacramentos de Serviço à Comunidade, os denominados sacramentos optativos, de modo a preparar os fiéis para o serviço comunitário, seja na família, ou seja na entrega plena ao Senhor.

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