Sacramento da Eucaristia (3º Encontro – 1ª Parte)

A Última Ceia

A festa da Páscoa judaica possuía um significado de libertação. Comiam ervas amargas para simbolizar o tempo duro de escravidão no Egito, junto com pães ázimos, que simbolizavam a saída às pressas, uma vez que as mulheres sequer tiveram tempo de colocar fermento nos pães antes de partir, na épica sequência milagrosa de Moisés e o Povo Eleito atravessando as tórridas águas do Mar Vermelho, como descrito no livro do Êxodo. Antes e depois da ceia tomavam vinho, num gesto festivo, como expressão de felicidade.

Todos bebiam do mesmo cálice, representando a comunhão da felicidade, o amor e o bem estar de uma família reunida. O pai fazia uma explicação didática de como o povo tinha escapado do Egito, e de como Deus era infinitamente bom.

Eis que nesse mesmo contexto, Deus quis celebrar a Páscoa, na Última Ceia, e Deus havia encarnado num corpo humano, e este era Jesus Cristo de Nazaré. Dessa vez não havia um povo eleito restrito, e não mais se recordariam apenas os feitos do passado, pois ali mesmo, no presente, Ele deixaria uma nova realidade, uma Nova Aliança, e a Salvação verdadeira seria concreta. A escravidão do pecado, não importava onde ela ocorresse, seria vencida para sempre.

“Enquanto comiam, Jesus tomou um pão e, tendo pronunciado a benção, o partiu, distribuiu aos discípulos, e disse: ‘Tomem e comam, isto é o meu corpo.’ Em seguida, tomou um cálice, agradeceu, e deu a eles dizendo: ‘Bebam dele todos, pois isto é o meu sangue, o sangue da aliança, que é derramado em favor de muitos, para a remissão dos pecados. Eu lhes digo: de hoje em diante não beberei desse fruto da videira, até o dia em que, com vocês, beberei o vinho novo no reino de meu Pai’”. Mateus 26, 26-29.

É incrível a habilidade humana de complicar o óbvio. Muitos insistem em dizer que Jesus fez apenas comparações de seu corpo e sangue com pão e vinho, e ainda outros que dizem que foi uma referência que não tinha o intuito de ser levada em consideração, chegando ao cúmulo de outros que simplesmente dizem que Jesus se contrariou. Linguistas e exegetas católicos são unânimes: Jesus não quis comparar, e sim, dizer-se presente no pão e vinho consagrados, de modo a instituir ali, na Santa Ceia, e também sua Última, o Sacramento da Eucaristia.

A própria palavra Eucaristia significa “ação de graças”, o gesto singelo que vemos Jesus realizar antes de cada refeição. O sentido teológico da Eucaristia é muito amplo, mas de forma sintetizada pode ser expressado como mais um gesto de infinita bondade de Deus.

Ostensório contendo o Santíssimo Sacramento

Ostensório contendo o Santíssimo Sacramento

Ainda que Deus esteja em toda a parte, sua presença Sacramental na Santíssima Eucaristia é aquilo que dá sentido aos Sacramentos, pois Deus contido no pão e no vinho aparentes é um gesto de humildade e comunhão incomparáveis, visto que dessa maneira, Deus pode agir e estar dentro de nós, até mesmo fisicamente. A promessa evangélica que Jesus nos fez, dizendo que estaria conosco todos os dias, se concretiza num âmbito inesperado.

Os primeiros cristãos já praticavam a Eucaristia, originando o que depois seriam as Santas Missas, e muitos detalhes litúrgicos foram implementados em virtude da grandeza e da tradição da Celebração Eucarística.

Dessa forma, podemos dizer que com o Batismo somos iniciados na fé, conectando nossas almas à presença de Deus, enquanto que na Eucaristia alimentamos essa fé, fortalecendo nossas almas para o convívio com a presença gratificante de Deus.

O parágrafo 1323 do Catecismo da Igreja Católica deixa clara a Instituição da Eucaristia por Jesus: “Na última ceia, na noite em que ia ser entregue, nosso Salvador instituiu o Sacrifício Eucarístico de seu Corpo e Sangue. Por ele, perpetua pelos séculos, até que volte, o sacrifício da cruz, confiando destarte à Igreja, sua dileta esposa, o memorial de sua morte e ressurreição: sacramento da piedade, sinal da unidade, vínculo da caridade, banquete pascal em que Cristo é recebido como alimento, o espírito é cumulado de graça e nos é dado o penhor da glória futura.”

Dentre os sinais mais interessantes que prefiguram a Eucaristia estão a passagem do “maná”, o pão do céu dado aos israelitas que vagavam pelo deserto num processo de preparo para adentrar a Terra Prometida (Êxodo 16), onde vemos que o misericordioso Deus se compadece do sofrimento do Povo Eleito e envia do céu um alimento único, guardado por eles na própria Arca da Aliança, como sinal da ajuda divina. A Eucaristia também é chamada de pão do céu, por ser um alimento de natureza divina, um presente de Deus perpetuado pela eternidade.

Maná para o Povo de Moisés

Maná para o Povo de Moisés

Outro sinal se dá nas Bodas de Caná (João 2, 1-12), uma passagem evangélica onde Jesus transforma água em vinho, e todos podem provar do “vinho novo”, melhor do que qualquer outro vinho oferecido. Da mesma forma, a Eucaristia é o vinho novo, aquele que salva, purifica e liberta, diferentemente de todo e qualquer outro vinho.

E também temos a multiplicação dos pães (Mateus 14, 13-21), onde Jesus expressa a verdadeira natureza da Eucaristia, uma vez que o pão consagrado é oriundo do mesmo Cristo, que instituiu o Sacramento na Última Ceia, e não uma subexistência divina em cada fração.

Com isso introduzimos o conceito do Sacramento da Eucaristia, esperando que os devidos aprofundamentos sejam tomados por todo aquele que nele crer.

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