Sacramento da Confirmação (3º Encontro – 2ª Parte)

Pentecostes

Pentecostes

Os devidos esclarecimentos sobre o Batismo já foram dispostos, de modo que uma questão crucial é postulada: de que forma atestamos nossa confirmação de que realmente queremos ser cristãos, isto é, aceitar o batismo que originalmente fora ideia de nossos progenitores?

A resposta é extremamente simples: o Sacramento da Confirmação. Deus nos concede o privilégio de tornar-nos Seus filhos, por meio de sua miraculosa redenção presente no Batismo, mas a aceitação dessa realidade depende exclusivamente de nós, que damos o gesto de “eis me aqui”, aceitando nossa condição prodigiosa.

Para tanto, a força de nossa afirmação, junto com a imposição das mãos de um sucessor dos apóstolos (o bispo), convida a uma efusão completa com o Espírito Santo, e no plano invisível onde agem os Sacramentos há um enlace profundo de nossas almas com a realidade divina.

CIC §1288 – Desde então, os Apóstolos, para cumprir a vontade de Cristo, comunicaram aos neófitos, pela imposição das mãos, o dom do Espírito que leva a graça do Batismo à sua consumação. É por isso que na Epístola aos Hebreus ocupa um lugar, entre os elementos da primeira instrução cristã, a doutrina sobre os batismos e também sobre a imposição das mãos. A imposição das mãos é com razão reconhecida pela tradição católica como a origem do sacramento da Confirmação que perpetua, de certo modo, na Igreja, a graça de Pentecostes.

CIC §1289 – Bem cedo, para melhor significar o dom do Espírito Santo, acrescentou-se à imposição das mãos uma unção com óleo perfumado (crisma). Essa unção ilustra o nome de “cristão”, que significa “ungido” e que deriva a sua origem do próprio nome de Cristo , ele que “Deus ungiu com o Espírito Santo” (At 10, 38). E este rito de unção existe até os nossos dias, tanto no Oriente como no Ocidente. Por isso, no Oriente, este sacramento é chamado Crismação, unção com crisma, ou mýron, que significa “crisma”. No ocidente, o termo Confirmação sugere que este sacramento, ao mesmo tempo, confirma o Batismo e consolida a graça batismal.

Os Sete Dons do Espírito Santo

Os Sete Dons do Espírito Santo

Dessa forma, observamos o ciclo completo dos Sacramentos da Iniciação, e percebemos que os propósitos de Jesus sempre foram bem delineados e nítidos. Com o Batismo somos apresentados ao mundo de Deus, e garantimos uma via para o Reino dos Céus, embora tenhamos que alcançá-los por mérito próprio. Com a Eucaristia, nossa alma ávida e iniciante é reconfortada e alimentada, para se santificar e fortalecer na busca pelos ideais cristãos. E depois vem a Confirmação, onde estamos convictos de nossas escolhas, e como a Igreja em Pentecostes, somos convidados a pregar e profetizar até nos confins do mundo. Como recompensa por essa convicção, somos mais intimamente ligados aos dons inerentes do Espírito Santo, que recebemos pela graça santificante, e eis que aqui estão enumerados os dons:

  • Sabedoria: o saber caracteriza um depósito intelectual que nos dá respaldo para boas práticas e ações na vida, com base no conhecimento que possuímos para discernir o certo do errado. Os verdadeiros sábios são aqueles que seguem os princípios de Deus, e sabem enxergar nas peculiaridades e milagres do mundo a presença confirmativa de Deus em nossas vidas.
  • Inteligência: a sabedoria exige uma capacidade de correlação, a partir do saber, mas a inteligência pressupõe a arte de fazer escolhas certas em meio a situações e exposição de informações distintas e originais. É preciso ser fortemente dotado desse dom para discernir aquilo que faz parte da doutrina daquilo que muitas vezes é criado ou confabulado para que se pareça a doutrina. Precisamos de inteligência na hora em que lidamos com pessoas que vivem realidades diferentes, e precisam de tratativas específicas.
  • Ciência: ser ciente é estar atento aos desígnios de Deus, seguindo a mensagem da parábola de Jesus sobre o patrão que sai de casa. É preciso que estejamos sempre alertas, e possamos compreender os sinais que Deus impõe em nossas vidas, no âmbito de vivências e da própria Salvação.
  • Conselho: de nada vale ser sábio, inteligente e ciente se isso te leva a uma ação egoísta, em que seus dons fortificados por Deus são motivo de egoísmo. É preciso que aconselhemos as pessoas corretas, ávidas por terem seus caminhos endireitados, pois Deus já deixou revelações nítidas e inquestionáveis de que não admite que sejamos salvos sozinhos. A comunhão é um bem de generosidade, que reflete nas limitações do homem a infinidade do amor de Deus.
  • Fortaleza: não é uma força barata e efêmera, por se tratar de uma capacidade extraordinária em que não apenas se é frequentemente forte, como também se transmite toda essa força, cativando as pessoas ao redor, para vencer as iniquidades do mundo, confiando nas promessas de Jesus de que bem-aventurados são os que possuem sede de justiça, porque serão saciados. Tal força não é oriunda de brutalidade ou austeridade humanas, mas sim da irrevogável ação do Espírito Santo sobre aqueles que desenvolvem esse dom.
  • Piedade: esse singelo dom é um dos mais admiráveis, pois expressa novamente nas limitações humanas a graça infinita de Deus, de modo que, privando-se de egoísmos e mesquinharias, o homem abraça a realidade do perdão, da caridade, e segue a primeira consequência que Jesus emite para quem o ama, ou seja, a obrigação de apascentar, cuidar, de seu rebanho, que somos todos nós, irmãos em Cristo Jesus.
  • Temor de Deus: permite que estejamos sempre submissos a Deus, seguindo o mais admirável paradoxo de nossa existência, onde somos libertos para servir, num gesto de retribuição por nossas vidas e salvações, alcançadas pelo miraculoso poder de Deus, que é fiel mesmo diante de nossas infidelidades e iniquidades. Estar sempre obedecendo a Deus permite que ele retribua nossa obediência, e nos torna mais sábios que nossos ancestrais, que tanto murmuraram contra Deus, num ato deplorável.
Sacramento da Confirmação

Sacramento da Confirmação

Para que possamos fortalecer os dons do Espírito Santo que habita em nós, precisamos permitir que Deus aja no âmago de nossas almas, estando purificados para a ação d’Aquele que habita numa luz inacessível, onde o mal não tem vez.

Por isso, terminamos esse artigo pedindo a presença do Espírito Santo:

“Vinde Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fieis e acendei neles o fogo do vosso amor. Enviai o vosso Espírito e tudo será criado e renovareis a face da terra. Ó Deus que instruístes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo fazei que apreciemos retamente todas as coisas segundo o mesmo espírito e gozemos sempre da Sua consolação. Por Cristo Nosso Senhor Amém.”

 

Anúncios
Categorias: Doutrina, Sacramentos | Tags: , , , , , , | Deixe um comentário

Navegação de Posts

Comente, elogie, critique, discuta!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Crie um website ou blog gratuito no WordPress.com.

%d blogueiros gostam disto: