Introdução aos Sacramentos (2º Encontro) – Primeira Parte

São Jerônimo de Strídon

São Jerônimo de Strídon

Jesus falava aramaico, uma variação do hebraico em vigor na região em que ele crescera. Naturalmente, os diálogos do Novo Testamento entre o Filho de Deus e seus discípulos se deu neste idioma, mas a necessidade de transmissão do Evangelho fez com que a maioria dos Evangelhos e cartas sobre a Revelação de Jesus fossem escritos em grego (particularmente o dialeto Koiné), uma língua importante e usual no Oriente Médio, em função do comércio no Mediterrâneo e da tradição helenística transmitida pelo império de Alexandre, o Grande. De fato, os próprios judeus daquele tempo que moravam fora da Judéia tinham em suas sinagogas os livros do Antigo Testamento em grego, em especial através da versão denominada Septuaginta, que remonta do século III a.C., na cidade de Alexandria.

O grego era considerado uma “língua franca”, universal, em torno do mar Mediterrâneo, o que abrangia um grande região onde gregos, egípcios e palestinos viviam. Uma correlação atual pode ser realizada comparando com o inglês em todo o mundo.

Para as primeiras comunidades cristãs, que se deram em torno dessa região (como em Corinto, na Tessolônica, na Galácia, dentre outras), o grego era realmente uma língua bastante didática, que atendia todas as necessidades, mas o futuro reservaria algo distinto.

O Império Romano já era poderoso na época de Jesus, e o latim era sua língua oficial. Como já estudamos aqui, Pedro continuou os ensinamentos de Cristo, sendo maritirizado em Roma, onde a Igreja se elevou, por respeito aos ensinamentos de Jesus. No princípio, os cristãos eram perseguido pelo Império, que era panteísta, além de divinizar a figura do Imperador, o que no catolicismo é inadmissível.

Somente com Constantino I (272-337) o Império Romano oficializou o cristianismo (catolicismo) tornando-o religião oficial. Foram portanto, ao menos dois séculos de perseguições ferrenhas contra a Igreja. Constantino se convertera, sendo batizado ao fim da vida.

Com o Império Romano adotando a religião católica, a necessidade de transmitir a Revelação em latim surgiu, e é aí que começa efetivamente nossa explicação sobre Sacramentos.

Jerônimo de Strídon (347-420), Padre e Doutor da Igreja, nasceu pouco depois da religião católica parar de ser perseguida no Império Romano, e por sua erudição única e abençoada, ele realizou uma tradução do Antigo e Novo Testamentos do grego para o latim, denominada Vulgata (que significa de uso popular, comum), sendo esta a tradução oficial da Igreja Católica Apostólica Romana, até os dias de hoje.

O que nos interessa nesse ponto é que é em todas as menções gregas à palavra “mysterion”, que significa, como tudo indica, “mistério”, São Jerônimo traduziu para “Sacramento”, que nos remente ao mistério em si, mas também à algo sagrado, como o nome expressa.

Um Sacramento, portanto, é exatamente isso, um mistério, uma menção visível para algo que aos nossos olhos é invisível, mas aos olhos Deus é virtuoso e importantíssimo.

A Igreja Católica não criou os sacramentos do acaso, baseando-se em nada, e sim seguindo os ensinamentos do próprio Jesus, que nos ensinou a batizar, nos ensinou a Comungar seu Santo Corpo e Preciosíssimo Sangue na Santa Ceia, nos ensinou a confirmar os irmãos na fé pela imposição das mãos, nos ensinou a confessar nossos pecados, a seguirmos uma vida consagrada a Deus, ou então formarmos uma família digna, e por fim nos ensinou que jamais nos abandonaria, nem mesmo na morte.

Cada um desses sacramentos será devidamente esmiuçado ao longo da formação, mas basta sabermos quais são e como são denominados:

Iniciação Cristã: Batismo, Eucaristia e Confirmação (Crisma).

Prestação de serviços à comunidade: Ordem e Matrimônio.

Cura e Libertação: Penitência e Unção dos Enfermos.

Sacramentos

Sacramentos

Todo sacramento possui matéria, fórmula e ministro, sendo a matéria aquilo que é tangível aos nossos sentidos, como a água do batismo, a fórmula são as palavras previstas com o sentido que Jesus as deu, e o ministro é aquele que possui autoridade sacerdotal para transmitir aquele sacramento, como por exemplo o padre para a Eucaristia e o bispo para a Confirmação.

Os Sacramentos agem “ex opere operato”, ou seja, pela força do próprio rito, independente da santidade do ministro. Em outras palavras, é Cristo quem ministra todo e qualquer Sacramento, pois Ele é o único sacerdote do Novo Testamento, os demais ordenados são seus ministros, como disse São Tomás de Aquino.

Todo Sacramento produz dois efeitos: o caráter e a graça santificante. O caráter é uma marca, um selo espiritual que é impresso na alma do cristão pelos três Sacramentos que não podem ser repetidos: Batismo, Crisma e Ordem. Os demais Sacramentos imprimem um “quase-caráter”, por exemplo, o vínculo conjugal para os validamente casados.

Essa marca significa uma pertença a Cristo, e não depende das disposições morais da pessoa que recebe o sacramento. Santo Agostinho comparava esta marca com aquela que era impressa nas ovelhas, no gado, e até nos escravos pelos seus donos. Mesmo desertado, o escravo continuava com a marca para sempre.

A graça santificante comunicada pelo Sacramento é a “participação na vida divina” de que falou São Pedro (1Pd 1, 4) que a pessoa não pode receber se põe obstáculo a ela. Por exemplo, se alguém comunga em pecado grave, ou se não crê na Eucaristia, mesmo assim recebe o verdadeiro Corpo de Cristo, mas não recebe a graça. Por isso os frutos dos Sacramentos dependem do esforço de conversão da pessoa; das suas disposições interiores.

Fonte:Os Sete Sacramentos” AQUINO, Prof. Felipe.

Para conferir esse tema no Catecismo da Igreja Católica, favor procurar os parágrafos: 774, 1084 e 1113, e seus entornos.

Com isso encerramos nossa breve Introdução, esperando que as dúvidas sejam expressas, para que possam ser imediatamente sanadas.

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