Refutação a Sola Scriptura

As maiores denominações protestantes creem num princípio denominado “Sola Scriptura”, sendo o significado desse termo latino “somente a Escritura”, ou, para que entendamos melhor “somente a Bíblia basta”.

Esse princípio é bastante controverso, como veremos nas passagens a seguir, mas ainda assim fervilha o crédito de milhares de fiéis, mas todas as contradições parecem ser voltadas nos mesmos preceitos.

Em Mateus 15, 1-9; observamos um diálogo entre Jesus e os Doutores da Lei, onde estes questionam Jesus sobre o fato de Ele e seus discípulos não respeitarem a Lei, seguindo tradições próprias, como por exemplo, comer sem lavar as mãos. Jesus intervém dizendo que os Doutores, e não Ele, que pervertem as Escrituras com tradições próprias, como desonrar pai e mãe, quando o mandamento de Moisés é óbvio, sem brechas para nenhuma outra interpretação.

Os protestantes creditam a essa passagem o princípio da Sola Scriptura, visto que Jesus retalha os Doutores quanto à sua tradição. Para a maioria das denominações protestantes, tudo aquilo que foge das Escrituras, ou seja, qualquer tradição, deve ser renegada. O grande problema é que nessa passagem os Doutores também retalham Jesus por seu comportamento não previsto nas Escrituras, Sua própria tradição, de modo que o Sagrado Magistério nos orienta que, em tal passagem, a mensagem principal é a escolha das tradições corretas, e não o desapego das mesmas.

A Sagrada Tradição que compõe o Depósito da Fé católico remonta dos apóstolos, como por exemplo, a veneração a Nossa Senhora e aos Santos, a composição de imagens sacras decorativas, os aparatos e alfaias litúrgicas da Santa Missa, a Adoração Eucarística, o respeito à autoridade papal e a ordenação de sacerdotes. As explicações e comprovações de todos esses pontos merecem postagens próprias, dada a complexidade de seus testemunhos ao longo dos séculos.

Se a Bíblia é realmente o livro supremo no qual estão contidas todas as informações necessárias para a fé, por que não existe um catálogo do cânon bíblico, ou seja, a lista verídica dos livros inspirados, para que não houvesse contradições? Por que os livros não se enaltecem e não se autenticam como verdadeiros e inspirados? Por que a Bíblia não deixa claro que se deve praticar a Sola Scriptura? Por que Jesus jamais falou sobre a Sola Scriptura? A complexidade dos ensinamentos do Filho de Deus e da boa nova poderiam estar contidas em forma de palavras?

São muitas inconsistências que precisam ser dribladas para que se acredite na Sola Scriptura, mas desapegando-se delas, vamos ver o que a Bíblia diz sobre a tradição.

Para o catolicismo, a Bíblia só pode ser interpretada por autoridades competentes, ou seja, o Sagrado Magistério, composto de membros inspirados pelo Espírito Santo ao longo de séculos, e não conclusões entoadas com convicção numa esquina qualquer por alguém que acredita estar fazendo uma interpretação correta. Existe uma grande diferença entre estar ou acreditar-se inspirado.

Os primeiros cristão espalharam o Evangelho por tradição oral, sem o apego de escrituras para acreditar, como se observa em 1 Tessalonicenses 2,13:

“O motivo de nosso agradecimento a Deus é este: quando ouviram a Palavra de Deus que anunciamos, vocês a acolheram não como palavra humana, mas como ela realmente é, como Palavra Deus que age com eficácia em vocês que acreditam.”

Em 2 Tessalonicenses 2,15; vemos o critério de salvaguardo da Tradição:

“Por isso, irmãos, fiquem firmes e mantenham as tradições que lhes ensinamos de viva voz ou por meio de nossa carta.”

O mais esclarecedor, talvez, se dê em João 21,25:

“Jesus fez ainda muitas outras coisas. Se fossem escritas uma por uma, penso que não caberiam no mundo os livros que seriam escritos.”

Como exalta São João, se não caberiam no mundo os livros que descrevessem as maravilhas de Jesus, de que forma a Bíblia, que cabe facilmente no mundo, seria definitiva no que diz respeito à fé?

Para refutar ainda mais o princípio da Sola Scriptura, peguemos trechos controversos do cânon, como por exemplo, a poligamia frequente nos primeiros livros do Antigo Testamento, a ordem de que as mulheres fossem submissas aos seus maridos na carta aos Colossenses, a ordem de que se empreste dinheiro com juros aos estrangeiros no Deuteronômio, o hábito de declarar um leproso como imundo ou impuro descrito no Levítico, as insinuações estranhas de amor entre Davi e Jonatã, no segundo livro de Samuel, ou mesmo as batalhas sangrentas descritas nos livros dos Reis, entre outras coisas que ferem a Moral Cristã. Como consideramos esses hábitos imorais, se eles estão contidos na Bíblia, sem serem refutados? Pela tradição dos ensinamentos de Jesus, oriunda da Tradição oral dos apóstolos.

Esse é um dos principais conflitos entre católicos e protestantes, visto que não há como ser compatível com pessoas que seguem critérios totalmente distintos.

A ordem de Jesus foi de que os apóstolos pregassem o Evangelho a toda criatura viva, e não que escrevessem tudo o quanto podiam, para que as pessoas pudessem ler um guia definitivo. Deus é mais complexo do que todas as palavras já concebidas pelo homem, assim como o Mistério Pascal. Espero que isso tenha desanuviado muitas dúvidas.

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