Introdução à Igreja Católica Apostólica Romana (1º Encontro)

A palavra “igreja” nos remonta da tradução mais usual do Antigo Testamento hebraico para a língua grega, versão denominada Septuaginta, onde o termo hebraico para assembleia ou reunião dos fiéis em torno de Moisés foi traduzido para o grego ekklesia, e mais tarde, para o latim ecclesia.

Os apóstolos, transcrevendo os ensinamentos de Jesus, deram sentido mais amplo, passando a designar a união indissolúvel dos cristãos como sendo a Igreja, e as intenções do Filho de Deus para que essa Igreja fosse única serão devidamente exprimidas nessa postagem.

Apenas para ilustrar um dos usos da palavra igreja dentro das convicções apostólicas, podemos ler Mateus 18, 15-17:

“Se teu irmão tiver pecado contra ti, vai e repreende-o entre ti e ele somente; se te ouvir, terás ganho teu irmão. Se não te escutar, toma contigo uma ou duas pessoas, a fim de que toda a questão se resolva pela decisão de duas ou três testemunhas. Se recusa ouvi-los, dize-o à Igreja. E se recusar ouvir também a Igreja, seja ele para ti como um pagão e um publicano.”

Não há como pertencer à Igreja Católica e ser demagógico ou hipócrita: nós possuímos convicção de que somos a verdadeira Igreja, Corpo Místico de Cristo, Instrumento de Salvação da Humanidade. A prática do ecumenismo obviamente é necessária, mas ainda assim não há como se obter outras interpretações em nossa doutrina, como será explicado a seguir.

O Evangelho de São Mateus é particularmente esclarecedor no que diz respeito à intenção de Jesus em fundar uma única Igreja, e nós católicos consideramos a passagem relativa à “Confissão de Pedro”, seguida da “Instituição da Igreja”, como uma espécie de certidão de nascimento da Igreja Católica Apostólica Romana, como se pode ler em Mateus 16, 13-19:

                “Chegando ao território de Cesaréia de Filipe, Jesus perguntou a seus discípulos: No dizer do povo, quem é o Filho do Homem? Responderam: Uns dizem que é João Batista; outros, Elias; outros, Jeremias ou um dos profetas. Disse-lhes Jesus: E vós quem dizeis que eu sou? Simão Pedro respondeu: Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo! Jesus então lhe disse: Feliz és, Simão, filho de Jonas, porque não foi a carne nem o sangue que te revelou isto, mas meu Pai que está nos céus. E eu te declaro: tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja; as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Eu te darei as chaves do Reino dos céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus.”

Essa autoridade única e inquestionável que Jesus confere a Pedro, único apóstolo renomeado, é ainda observada em outras passagens, tais quais:

  • São Pedro recebe as Chaves do Reino dos Céus: Mt 16, 19.
  • No catálogo dos apóstolos, Pedro é quase sempre o primeiro citado: Mt 10, 2-4; Mc 3, 16-19; Lc 6, 13-13; At 1,13.
  • Ele preside e dirige a escolha de Matias no lugar de Judas: At 1, 1-25.
  • É o primeiro a anunciar o Evangelho no dia de Pentecostes: At 2,14.
  • Acolhe na Igreja o primeiro pagão: At 10, 1.
  • Pedro é estimado por Jesus como o Pastor chefe, logo após Ele: Jo 21, 15-17.
  • Jesus menciona os apóstolos como especiais, mas subordinados a Pedro: At 20, 28 e 1Pd 5,2.
  • Pedro é o único apóstolo renomeado por Jesus: Jo 1, 42 e Mt 16,18.

Existe ainda uma gama considerável de questões que colocam Pedro em primeiro plano, como líder dos apóstolos, e seguindo essa tradição de que a Igreja possua um líder, existe o pontífice máximo, que nós católicos, depois de alguns séculos, conferimos o título de papa, para que houvesse maior proximidade e status de doação e servidão, já que dentre os demais títulos para o papa, está aquele que provavelmente eles mais se orgulhem, que é o de ser “Servo dos Servos de Deus”. O termo latino para papa é idêntico ao português, e remonta do grego pappas, uma forma carinhosa para “papai”.

As denominações protestantes, bem como a Igreja Católica Ortodoxa, não admitem o sequenciamento da autoridade de Pedro, de modo que acreditam que Jesus só conferira tal autoridade ao apóstolo, de forma única, sem que suas intenções fossem de que o título passasse de forma subsequente, o que é uma afirmação inconsistente, com base nos ensinamentos de Jesus e na própria Doutrina Apostólica.

Apenas levando em consideração preceitos lógicos, os indícios históricos relatam que São Pedro foi martirizado em Roma, por volta de 67 d.C., sendo crucificado de cabeça para baixo, por não se considerar digno de morrer como Nosso Senhor. Apenas citando um dos relatos que confirmam isso, peguemos Orígenes de Alexandria (c. 185 – 253 d.C.), famoso Padre da Igreja e bispo de Alexandria, que escreveu:

São Pedro, ao ser martirizado em Roma, pediu que fosse crucificado de cabeça para baixo” (Com. in Genes., t.3).

Depois de São Pedro, o catálogo dos papas possui pontífices breves, em virtude da perseguição aos cristãos encabeçadas pelo imperador Nero, mas sabe-se que se seguiram Lino (67 – 76 d.C.), Anacleto (76-88 d.C.) e por fim, Clemente I (88-97 d.C.), que esclarece melhor as coisas.

Clemente I fora discípulo de São Pedro, e seguindo os preceitos de seu mestre, que obviamente são intimamente vinculados a Cristo, ele fez diversas modificações dentro da doutrina da Igreja, como estipular a obrigatoriedade do Sacramento da Confirmação (Crisma), e o uso da palavra “amém” como concordância ao fim de orações e sentenças litúrgicas. Com esse número de modificações vinculadas à Igreja, existe aí a confirmação da autoridade papal sobre toda a cristandade, uma vez que o apóstolo João, descrito na Bíblia como “aquele que Jesus amava”, ainda era vivo quando se publicaram todas essas modificações, mesmo antes de Clemente I, sem jamais intervir contra nenhuma delas, ou mesmo contra a autoridade de São Clemente ou dos demais papas.

O fato de um apóstolo íntimo de Jesus não se manifestar contra a autoridade do pontífice máximo sobre a Igreja é um claro sinal de que o papa, aquele que preside a Cátedra de São Pedro, possui a autoridade que Jesus conferiu ao apóstolo, seguindo o preceito de Nosso Senhor de que estaria conosco “todos os dias, até o fim do mundo” (Mt 28, 20).

Seria particularmente estranho se Jesus tivesse criado uma Igreja e a deixado ao relento, sem cumprir sua promessa. Para nós católicos, Jesus jamais deixou a Igreja, assim como a própria Igreja é o Corpo Místico de Cristo, do qual Jesus é a Cabeça e nós, os Membros.

Com a autoridade papal explicada, voltamos a outra questão, que é a manifestação da Igreja junto ao povo, ou seja, Jesus queria uma única Igreja, ou uma Igreja dividida, como as muitas que existem hoje?

A resposta fica clara quando vemos algumas passagens bíblicas:

“Não rogo apenas por eles, mas também por aqueles que por sua palavra hão de crer em mim. Para que todos sejam um, assim como tu Pai, estás em mim e eu em ti, para que também eles estejam em nós e o mundo creia que tu me enviaste” Jo 17, 20-21.

“Eu sou o bom pastor. Conheço as minhas ovelhas e as minhas ovelhas conhecem a mim, como meu Pai me conhece e eu conheço o Pai. Dou a minha vida pelas minhas ovelhas. Tenho ainda outras ovelhas que não são deste aprisco. Preciso conduzi-las também, e ouvirão a minha voz e haverá um só rebanho e um só pastorJo 10, 14-16.

 

Nesse sentido, não ser um único corpo voltado para Cristo é algo absolutamente errado, e passível da severidade de Deus, pois Jesus disse: “Quem não está comigo, está contra mim” Mt 12,30.

Com essas passagens, percebemos a clara mensagem de Jesus para que houvesse uma única Igreja, com uniformidade de doutrina, sendo ela baseada totalmente nos ensinamentos de Cristo.

A palavra católica tem sentido de “universal” ou “homogênea” justamente para englobar todos aqueles que desejem nela pertencer, sem distinções, seguindo os preceitos de Jesus.

Nos denominamos apostólicos por carregarmos uma herança direta e intransferível oriunda dos apóstolos, uma vez que, pela Sucessão Apostólica, podemos traçar um paralelo entre cada sacerdote presente hoje na Igreja até os apóstolos, que obviamente foram ordenados pelo próprio Jesus.

Nos denominamos romanos por estarmos subordinados à autoridade e primazia papais, visto que, da Cátedra de São Pedro, no Vaticano, em Roma, de onde se pronuncia o papa, provém o poder das Chaves dos Céus, que Jesus conferiu a Pedro na passagem já citada.

Esse poder de ligar e desligar as coisas da terra nos Céus, conferido ao papa, tornou possível a homogeneização de nossas celebrações litúrgicas, doutrina e demais costumes católicos, e ao longo da formação crismal pretendemos esclarecer todos esses aspectos, se Deus permitir.

Como povo eleito de Deus, nós católicos temos importantes responsabilidades, mas também somos infinitamente abençoados. Que essa realidade fique nítida em sua vida, com a graça de Deus.

Anúncios
Categorias: Doutrina, Eclesiologia | Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , , | Deixe um comentário

Navegação de Posts

Comente, elogie, critique, discuta!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Blog no WordPress.com.

%d blogueiros gostam disto: