A Virgindade Perpétua de Maria

Por um singular privilégio de Deus, Maria foi mãe conservando sua virgindade antes, durante e depois do parto de Jesus Cristo, Nosso Senhor. Isso significa que a Sagrada Tradição e as Sagradas Escrituras nos mostram que durante toda a sua vida ela conservou intacta sua pureza original e virginal.

Apenas para que se ilustre o espaço dessa verdade doutrinária dentro da Igreja, vale lembrar que a Virgindade Perpétua de Maria é um dogma de fé (verdade inquestionável estipulada pela Sagrada Tradição) definido pela Igreja em diversos concílios, sobretudo no de Latrão (649 d.C.) e o III de Constantinopla (680 d.C.) que definiram a “ilibada virgindade de Maria, antes do parto, durante o parto e depois do parto”.

Evidentemente, a Igreja não estipulou tal dogma a partir de visões próprias infundadas, baseando-se na Bíblia e na Tradição, pois os textos são claros:

“Eis que a Virgem conceberá e dará à luz e o nome deste será Emanuel” (Isaías 7, 14). Pelo contexto se vê que Isaías designa esse acontecimento como um grande sinal de Deus, como um grande prodígio. Veja que o fato de uma virgem dar à luz é realmente um grande prodígio, previsto por Isaías pelo menos setecentos anos antes de Cristo.

Na Bíblia, quando São Mateus narra os acontecimentos em torno do nascimento de Jesus, ele mesmo cita a passagem de Isaías (cf. Mateus 1,22).

Para que se tenha uma plena convicção de que a Virgindade Perpétua de Maria realmente é um dogma de fé, devemos ler as passagens relativas a cada segmentação dessa verdade:

  • Antes do parto: (além de Isaías já citado) “O Anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma Virgem (…) e o nome da Virgem era Maria… Maria disse ao anjo: Como se fará isso, pois eu não conheço varão? Respondendo o anjo disse-lhe: O Espírito Santo descerá sobre ti e a virtude do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra (cf. Lucas 1,26 e 34-35)
  • Durante o parto: Com uma descrição delicadíssima, São Lucas nos persuade de que Maria conservou sua virgindade no ato propriamente dito de tornar-se Mãe do Salvador: “Chegou com ela o tempo do parto e deu à luz seu filho primogênito, envolveu-o em faixas e o pôs numa manjedoura” (Lucas 2,6). Maria, nesse relato, não aparece como sujeita às dores e fraquezas que são o preço natural da maternidade. É ela mesma quem presta os primeiros cuidados a Jesus recém-nascido. São Lucas não poderia ter falado assim, se ela não tivesse dado à luz de maneira comum.
  • Depois do parto: é o que se conclui do mesmo texto de São Lucas já citado. Pelas palavras de Maria ao anjo vê-se claramente o seu propósito de virgindade. Estando já casada com José, ela diz: “Como se fará isso, pois eu não conheço varão?” Em outras palavras: “Como me tornarei mãe, tendo o propósito de não me relacionar com nenhum homem?”.

O fato é que, como seria possível, depois do parto milagroso, que ela deixasse esse propósito, esse voto de virgindade? Seria tamanha ingratidão com Aquele que milagrosamente lhe conservara a virgindade antes e durante o parto, o que é inconcebível para alguém como Maria, predestinada e escolhida por Deus para ser mãe de seu Filho, e portanto uma pessoa casta, especial e diferente das demais. Em termos teológicos, é fácil pensar que o Filho Unigênito do Pai (ou seja, único segundo a Tradição) fosse também, segundo a carne, o Unigênito da Mãe.

Obviamente os protestantes pervertem esse dogma dizendo que Maria teve outros filhos, o que é uma incoerência gigantesca, digna de péssimos interpretadores bíblicos que simplesmente a interpretam ao seu bel prazer, sem possuir a carga de Sagrada Tradição que nos remonta dos Santos Apóstolos.

Basicamente, a Bíblia se refere quatro pessoas como “irmãos de Jesus”, mas isso não permite concluir que sejam irmãos carnais de Jesus, ora que, até mesmo entre nós, nos dias atuais, é comum nos chamarmos irmãos, por sermos irmãos em Jesus, filhos de Deus.

De fato, três desses “irmãos de Jesus” têm seus pais nomeados na Bíblia:

  1. Tiago: é Tiago, o Apóstolo (cf. Gálatas 1,19); o Menor (cf. Marcos 15,40), cujo pai é Alfeu (cf. Mateus 10,3).
  2. José: é irmão carnal de Tiago, pois ambos são filhos de uma das três Maria que estiveram ao pé da Cruz (cf. Mateus 27,56) e cujo pai também é Alfeu.
  3. Judas, o Tadeu: é também irmão de Tiago (cf. Judas 1,1) cujo pai é Alfeu. Lucas o chama de Judas de Tiago (cf. Lucas 6,16).

O quarto dos “irmãos de Jesus” é Simão, cujos pais não estão na Bíblia. Mas o antigo historiador Hegezipo (séc. II) informa que ele é filho de Cléofas, esposo de Maria, “irmã da Mãe de Jesus” (cf. João 19,25). É pois, primo de Jesus.

Levando a hipótese de Cléofas seja a tradução grega de Alfeu, todos os quatro seriam irmãos entre si, mas da mesma forma primos de Jesus, o que os torna parentes próximos.

Além de tudo isso, a Bíblia nunca os chama de “filhos de Maria”, ao passo que só a Jesus chama “o filho de Maria”, com artigo (no original Marcos 6,3).

De fato, é muito comum na Bíblia que parentes próximos sejam chamados de irmãos. Para ver por si mesmo:

  • Comparar Gênesis 13,8 a Gênesis 12,5 e 11,28-31; Gênesis 29,13 e 15; Levítico 10,4; Crônicas 23,22, etc. Note-se que algumas edições mais recentes da Bíblia já trazem a palavra “parentes” em vez de “irmãos”, nesses casos.

E isso compõe a carga com o qual os Padres da Igreja, há quase dois mil anos, estipularam a Virgindade Perpétua de Nossa Senhora como um dogma.

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